Ismael Aquiles
Salinas
Supõe-se que um Mestre, é alguém que ensina.
O assunto fundamental então para um maçom, não é
aceder ao grau de mestre, senão chegar a constituir-se em um.
O iniciante diz: “te consagro e te constituo”. Mas,
longa e íngreme é a subida que conduz à real maestria. Sem conhecimento de sim
mesmo, não há possibilidades de se converter em mestre, por esta razão se
afirma e aceita-se que sempre somos aprendizes.
No plano do raciocínio comum, da lógica analítica,
pode-se chegar a ser dominador de uma disciplina e a exercer maestria nesse
campo e o limite deste exercício estará fixado pelo crescimento deste campo e
pela expansão desta disciplina. Mas na maestria real acontece outra coisa muito
diferente à de crescer com os limites de crescimento de uma técnica, exercitada
no campo de uma disciplina cientifica. Este mestre, é em sim mesmo, um campo de
consciência que se expande sem limites e constitui um centro de irradiação, um
poder cósmico sobre as consciências e sobre os elementos, porque é luz e poder
real.
Sossega as tempestades, as ondas e os básicos (devas)
dos elementos lhe obedecem. A renuncia e o sacrifício são as insígnias que o
condecoram, como a manta e a jóia do seu grau. Dentro do templo universal, não
é agente repressor, nem juiz, nem fiscal, é custodia do cumprimento da lei,
porque esta é sua própria substância e talvez por esta razão, a lei esta sempre
ensinando, direcionando a evolução dos sucessos mundiais para os melhores fins
para humanidade. Atrás, atuando constante e eterna, a teurgia do Mestre real,
constituí-se em coluna mestra do templo do mundo.
Na loggia, sem ocupar nenhum lugar em particular,
representa todas as faces, por ter-se constituído em real mestre. A maestria
real, por oposição à maestria simbólica, que é pura representação, é autêntica
sabedoria, verdadeira luz e por essa razão, inegável poder. Por isso, constitui
um privilegio, trabalhar nestes centros onde se debatem as energias cruciais,
que regeneram o mundo e elevam a consciência da humanidade.
Este fato da Maestria real não responde à vontade de
nenhum aparelho institucional, senão ao nível de evolução espiritual de cada
individuo, obtido pelo próprio esforço. O Mestre se faz a sim próprio, ninguém
pode faze-lo. Constitui o verdadeiro autodidata nos quadros do magistério
natural. Quando verdadeiramente o consegue, surge a oportunidade, como
merecimento de trabalhar pela humanidade, e então converte-se num Servidor do
mundo, rumo ao sacrifício e à renuncia da gloria e do poder mundano.
Este é o destino natural de um Mestre, e esta é a
longínqua meta evolutiva de nossos irmãos de todas as latitudes e raças, de
todos os credos, sexos e cores da pele. Claro que neste estágio de evolução
comum em que nos achamos, o vendedor de jornais, o engraxate e o catador de lixo,
cada um é um Mestre, na medida exata em que consegue ser, mediante o serviço
que presta no corpo social em que evolui, que é como a loggia onde se inicia o
aprendizado profano, que algum dia por merecimento conduz à real Maestria, que
se exerce unicamente para servir a outro.
Santa Maria, (RS), 18/X – 2003. Tradução livre do Espanhol; KRISHNA
SALINAS